Masterplan complexo Agroindustrial El Pongo
Perico, Jujuy, Argentina — 2022
Arquitetura
La Rural, Avenida Sarmiento, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina — 2021
Em 2021, enquanto a Cannava consolidava em Jujuy uma nova matriz produtiva vinculada ao cannabis medicinal de grau farmacêutico, a marca precisava de algo mais do que um estande para a Expocannabis Buenos Aires: precisava construir presença, identidade e confiança. O espaço projetado pela Leguía Yias Arquitectos transformou essa necessidade em uma experiência imersiva onde arquitetura, marketing e comunicação audiovisual se integraram como um único sistema. Um pavilhão concebido como um portal atravessável, aberto e dinâmico, onde o produto se tornava protagonista absoluto e a marca começava a narrar sua própria história.
Apresentado na Expocannabis 2021, realizada no recinto feiral da La Rural de Palermo, o projeto para a Cannava foi desenvolvido em um momento estratégico para a empresa estatal jujenha: a primeira apresentação pública do produto farmacêutico CBD10 diante de um público especializado.
Desde o início, o projeto evitou a lógica tradicional do estande como objeto estático ou simplesmente expositivo. A análise de circulação dentro do recinto demonstrava que o estande estaria localizado em um dos corredores de maior tráfego do evento.
A partir dessa condição urbana interna, o espaço foi concebido como um túnel atravessável: uma arquitetura aberta que absorvia o fluxo constante de visitantes e transformava a passagem em uma experiência.

O conceito espacial se estruturou em torno de cinco ideias principais: contêiner, portal, experiência interior, presença exterior e conteúdos audiovisuais integrados.
A geometria geral do pavilhão surgiu de uma grande abertura morfológica diagonal que deformava o volume original para gerar um espaço permeável e dinâmico. Uma estrutura de alumínio e tensores metálicos sustentava os revestimentos exteriores e interiores, permitindo levar o projeto à obra em tempos muito reduzidos.
Externamente, o volume funcionava como uma grande peça gráfica tridimensional. O pavilhão retomava a estética visual da embalagem do CBD10 e a transformava em arquitetura.
Não se tratava de reproduzir literalmente uma caixa de produto, mas de converter seus códigos gráficos em espaço habitável.


No coração do pavilhão foi instalada uma reprodução gigantesca do frasco de CBD10, concebida quase como uma peça escultórica dentro de uma sala de exposição contemporânea.
A operação buscava algo muito preciso: outorgar ao produto uma escala simbólica condizente com a importância estratégica que tinha para a Cannava naquele momento. O CBD10 não aparecia como um objeto de consumo, mas como um marco institucional.
A arquitetura, a iluminação e o percurso estavam organizados em torno desse objeto central.


Um dos elementos mais singulares do projeto foi a incorporação de um logotipo monumental construído inteiramente mediante telas LED integradas na arquitetura.
A intenção era gerar uma dupla leitura: o logotipo funcionava simultaneamente como identidade visual e como suporte narrativo audiovisual. A marca não apenas se mostrava; narrava.
As grandes telas LED complementavam o percurso exibindo processos agrícolas, instalações industriais, produção farmacêutica e conteúdos institucionais vinculados ao desenvolvimento do cannabis medicinal em Jujuy.
Em um contexto onde a empresa ainda não contava com produção fotográfica consolidada nem peças comerciais desenvolvidas, o estúdio produziu integralmente todo o universo visual do pavilhão.
A mesma tecnologia habitualmente utilizada para visualização arquitetônica foi aplicada ao desenvolvimento de branding e comunicação de produto, integrando arquitetura e marketing em um sistema único.
O projeto sintetiza uma condição transversal presente em grande parte do trabalho do estúdio: a arquitetura entendida não apenas como construção física, mas também como sistema de comunicação, experiência e posicionamento estratégico.
A Expocannabis 2021 representou para a Cannava muito mais do que uma participação institucional em uma feira. Foi um dos primeiros momentos em que a empresa começou a construir publicamente sua identidade como marca farmacêutica de escala nacional.
O espaço projetado acompanhou esse processo transformando um pavilhão efêmero em uma ferramenta de posicionamento estratégico.