Laboratórios Cannava
Finca El Pongo, Jujuy, Argentina — 2022
Arquitetura
Finca El Pongo, Jujuy, Argentina — 2023
Como projetar uma planta farmacêutica completa em menos de seis meses, enquanto 50 hectares de cultivo avançavam rumo a uma colheita impossível de deter?
Em 2023, a Cannava enfrentou um dos maiores desafios operativos de toda a sua expansão industrial: processar em tempo e forma a colheita de mais de 50 hectares de cannabis medicinal sob rigorosos padrões farmacêuticos.
A magnitude do crescimento produtivo havia superado completamente a capacidade original da planta industrial. Em apenas um ano, o sistema operativo de pós-colheita e processamento havia ficado tecnicamente obsoleto frente à nova realidade produtiva do complexo.
O desafio não consistia apenas em construir novos espaços.
Era necessário redesenhar completamente o funcionamento operativo de uma planta farmacêutica em plena expansão.
O cannabis medicinal é uma matéria vegetal extremamente sensível.
A umidade, a temperatura, as bactérias e os fungos podem comprometer rapidamente a estabilidade do produto e tornar inviável sua utilização farmacêutica. Em produções de grande escala, a janela de processamento é breve e inalterável.
A colheita devia ser processada em questão de dias.
Isso implicava coordenar de forma rigorosa:
sem gerar gargalos que colocassem em risco toneladas de produto vegetal.

A operação exigia incorporar de forma urgente um novo complexo de secagem industrial imediatamente após as áreas de destalamento e trimming, reorganizando completamente o fluxo operativo da planta.
A decisão estratégica foi radical: transformar o depósito industrial existente de aproximadamente 5.000 m² em um novo sistema de 24 câmaras industriais de secagem controlada.
Mas essa operação gerava um novo problema crítico.
Ao ocupar o depósito existente com o novo sistema de secagem, toda a planta industrial ficava sem capacidade de armazenamento para a matéria-prima vegetal processada.
A única solução possível era desenvolver simultaneamente um novo edifício industrial de grande escala destinado ao envase e armazenamento regulado de produto vegetal.
E devia ser feito em tempo recorde.
O projeto para a nova planta de envase e depósito foi desenvolvido sob condições extraordinárias.
Ao contrário de indústrias tradicionais com décadas de antecedentes técnicos consolidados, grande parte da infraestrutura para cannabis medicinal ainda não possui padrões universais estabelecidos.

Muitos dos processos, layouts, sequências operativas e sistemas ambientais tiveram de ser pensados especificamente para este projeto.
A arquitetura começou então a operar simultaneamente como:
Cada decisão espacial afetava diretamente a rastreabilidade, a estabilidade do produto e a capacidade operativa geral da planta.

A nova infraestrutura foi concebida como um sistema produtivo integral.
Os fluxos completos de trabalho foram projetados desde a entrada inicial da matéria vegetal até seu envase e armazenamento final.
O desafio já não era apenas arquitetônico ou construtivo.
Era profundamente operativo.
A planta devia permitir:
As novas áreas de:
foram organizadas mediante esquemas logísticos e sanitários extremamente rigorosos, seguindo critérios farmacêuticos internacionais.
A planta foi projetada para absorver enormes volumes de processamento mantendo controle ambiental permanente sobre temperaturas e umidades relativas.
O projeto completo foi desenvolvido em apenas alguns meses.
Enquanto os sistemas de ar, layouts e processos operativos eram projetados, a obra já havia começado.
A construção foi realizada integralmente mediante estruturas metálicas de rápida execução, permitindo acelerar os tempos de montagem e minimizar riscos construtivos dentro de uma operação industrial ativa.

O sistema exigiu ainda:
A capacidade do sistema de incêndio existente deveu ser ampliada em aproximadamente 150% para responder às novas condições operativas e regulatórias do complexo.

Simultaneamente foram incorporados sistemas de refrigeração industrial capazes de manter toneladas de matéria vegetal sob condições controladas de conservação e estabilidade farmacêutica.
A escala e complexidade do projeto exigiram a conformação de uma equipe interdisciplinar excepcional.
O desenvolvimento envolveu:
Durante meses, arquitetos, engenheiros, especialistas farmacêuticos, equipes de cultivo, infraestrutura e pós-colheita trabalharam de forma coordenada para construir uma infraestrutura sem precedentes na Argentina.
Cada modificação operativa implicava revisar simultaneamente:
A arquitetura deixou assim de ser apenas design de espaços para se tornar uma ferramenta de integração sistêmica entre tecnologia, produção e operação.
Além de sua escala técnica, o projeto representa uma mudança profunda na forma de pensar infraestrutura industrial na América Latina.
A nova planta de envase e armazenamento da Cannava não foi concebida como um edifício estático, mas como uma plataforma operativa flexível, capaz de evoluir junto com uma indústria que ainda está definindo seus próprios padrões globais.
El proyecto demuestra cómo la arquitectura puede operar simultáneamente sobre:
convirtiéndose en parte activa de la inteligencia del sistema industrial.
En un contexto donde las industrias biotecnológicas demandan cada vez mayores niveles de precisión y adaptabilidad, la arquitectura deja de ser un simple soporte físico para transformarse en infraestructura crítica de operación contemporánea.